Delorean. A banda que recentemente trouxe um grande presente aos ouvidos de todo bom apreciador do roque. O "Dissonância cognitiva de justificativa externa", novo EP da banda, foi disponibilizado (link no fim do post) no começo do mês e já mostrou pra todo mundo que a banda não está de brincadeira. Eu, particularmente, achei as composições de um originalidade absurda. Uma banda que com certeza fortalece a cena, não só dando uma aula de musicalidade mas também deixando claro pra molecada que é preciso fazer acontecer. E nós estivemos com eles para falar um pouco sobre o EP e sobre a banda:
Há quanto tempo vocês estão com a Delorean? Neste, quais as mudanças que aconteceram na banda?
(Kleber) - Bom. a Delorean teoricamente existe desde 2008, mas na verdade, não considero muito isso não, porque a banda "acabou" umas duas vezes e rolou uma longa pausa nesses intervalos de tempo. A minha intenção quando comecei a banda era fazer um som simples e direto, mais garage rock, pra sair do que eu tava acostumado, a tocar na época, que era mais hc melodico e metal. A banda teve duas fases: na primeira, era formada por eu, Julio, Arroz e o Cabral, e as maiores influências que tinhamos na época era Hot Water Music, The Draft, Deluxe Trio, Noção de Nada e outras do ramo. Quando o André entrou na banda, rolou uma mudança de formação: o arroz era bateria, e foi pra guitarra (ele já tocou guitarra em varias outras bandas), o resto permaneceu o mesmo ai com a entrada do André na banda, foi o cara q eu precisava pra dar corda nas coisas que eu queria fazer a mais na banda
(André) - Eu entrei na banda em 2010, e desde que eu entrei na banda, o som foi pendendo um pouco pra um lado diferente, começamos a pirar em um outro tipo de som, mais puxado pro lado do blues, do roque de verdade (o feito nos anos 60), e uma pitada de psicodelico e stoner. Acho que essas influencias no som atual da banda, não são tão descaradas, mas dá pra perceber um pouco disso no som. Acho que as maiores influencias atualmente na banda são Cream, The Mars Volta, e Queens Of The Stone Age embora o som da banda em si, não se pareça nem um pouco com essas (risos)
Entendo... Mas essa mudança no estilo da banda foi repentina ou aos poucos? Aconteceu algo (algum show/música/um rolê que seja) que marcasse essa mudança?
(Kleber) - Por mim, foi uma mudança natural das coisas mesmo... Foi aos poucos. O EP mostra isso, porque tem coisa velha e coisa mais recente, e dá pra sentir uma diferença e em show vão sentir mais ainda com as coisas mais novas.
(André) - E vão ficar contagiados com os ritmos latinos que a gente pira (RISOS)
Ritmos latinos? Coisas mais novas? Então tem mais coisa saindo do forno além do EP?
(Kleber) - Pois é, o EP decidimos meio que fechar caixão com as musicas velhas, por isso não gravamos um cd com mais musicas, prefirimos dividir isso. Esse EP é a transição, o próximo já vai ser outra fase, já terminamos o primeiro pensando no segundo.
(André) - Verdade, já tínhamos musicas pra 1 cd, mas decidimos dividir mesmo.
Entendo... Então, que músicas vocês podem dizer que representam a antiga e a nova Delorean?
(André) - Do EP, acho que Ansiedade e Pouco Tempo Por Promessas são a antiga Delorean, Casa Nula acho que também... Por Quantos Meses Mais e Nostalgia Blues tão mais a cara da "nova" Delorean, que não se pode dizer nova porque só tem velho e ranzinza na banda.

E falando um pouco sobre a cena de VR, eu sei que vocês provavelmente viram muitas bandas antigas e muitas bandas novas e acompanham a cena há um bom tempo. Então, o que vocês acham sobre a cena/pessoal/movimentação de VR? Como era antes,como é agora, e como vocês gostariam que fosse?
(Kleber) - Essa pergunta é boa, hoje em dia todo mundo reclama de panela e eu também, mas panela sempre teve e sempre vai ter. Todo mundo quer fortalecer quem tá próximo, ou por algum interesse, o underground custa caro e é feito de interesses. Pois é, acho q hoje em dia muita gente tem preguiça de fazer os corres do roque mesmo, de montar banda, fazer musica, gravar um CD, sair tocando igual maluco. Hoje em dia a galera tá acomodando mais em sair de casa fazer um som de leve e ponto.
(André) - Bom, sempre rola aquele sentimento de que antes era melhor e hoje tá ruim, mas o que acontecia mesmo, é que antigamente o pessoal gostava de sair pra ver show, sair pra conhecer banda, ou mesmo quando não curtia o som, saía pra ver movimento. Hoje segmentou muito o público, um cara só vai no evento do som que curte, ou vai e não entra e fica na porta, ou prefere ficar em casa vendo vídeo de banda no youtube. Gente correndo atrás de fazer a cena girar, sempre teve, mas acabou também que os pontos de evento foram só acabando, e não foram surgindo outros pra suprir a necessidade. Rola também outra coisa, que andei reparando é que deu uma diminuída no volume de bandas da região, tem poucas banda surgindo atualmente, com propostas interessantes, correndo atrás, fazendo pela cena, compondo, tentando fazer um som que se destaque. Não to dizendo que não acontece isso, mas diminuiu bastante, em relação a alguns anos. Acabou aquela vontade incontrolável de fazer musica, ensaiar e sair tocando pro máximo de gente ouvir e conhecer o som, agora é ensaiar, gravar e jogar na internet pros amigos ouvirem e tá bom.
Tem alguma banda na região que vocês curtam? Há ALGUMA QUE SEJA A APOSTA DE VOCÊS PARA O FUTURO? Como é relação de vocês com as outras bandas da cena?
(Kleber) - Como a gente tem um estúdio, acho q temos a sorte de ver muitas bandas lá no estúdio que tem muita chance de atingir destaque, e mais sorte ainda de gravar o trampo dessas bandas e o que eu acho mais foda disso tudo é que a banda entra como cliente e sai como amigos, isso sim vale a pena.
(André) - Na questão de relação com outras bandas da cena, acredito eu que tenhamos boa relação com bastante gente, até porque mesmo antes do estúdio, a gente já freqüentava bastante os roques, já tocamos com bastante gente em outros projetos então sempre fica aquela amizade.
Quando rolará um show de lançamento do ep?
(Kleber) - De lançamento eu não sei, na verdade, nem somos banda grande pra fazer isso, mais queremos logo tocar agora.
(André) - Pois é, a idéia é tocar. E quem quiser, muita pélvis remexendo também.
Todos sabemos que o André é o cara das 20.000 bandas, os outros membros da banda também fazem/já fizeram parte de outras bandas?
(André) - (risos) O Kleber já fez 2 participações no Eat Meat At The Pork Shop: uma vez em um show completo, e uma vez em uma musica só... e durante um tempo, o Kleber tocou numa banda de punk californiano chamado Mavericks. Mas atualmente eu sou o único da banda com outras bandas, todos tem exclusividade, e reza a lenda que meu contrato de exclusividade está sendo redigido. Vou citar só as que já fizeram show: Zé Tripé, Lingerie, Megaphony, Eat Meat At The Pork Shop, Iguanas e Delorean. o Cabral já tocou, que eu sei, na: The Funtus, Mean Machine e Delorean.
(Kleber) - Beleza, vou citar as que tocaram mas tive uns projetos que não duraram muito, eu: Zona Rural, Ticket, Another Face, Mavericks e Delorean, acho que são as principais.
Arroz: Ticket, 57 centavos, Remold, Freedom, The Funtus, Dreemon, entre outras milhares.
Eu vejo um lance bem original nas composições de vocês, como funciona o processo de composição das músicas?
(Kleber) - Então, antigamente funcionava assim: eu criava a letra, melodia e a musica cru, mostrava pra banda e a gente desenvolvia. Hoje em dia mudou um bocado as coisas, o André é meu mano de apoio agora. (risos)
(André) - (risos) Agora funciona a base de jams.
(Kleber) - A gente simplesmente junta no estúdio pega um tempo vago, senta e faz um som.
(André) - E acaba saindo umas bases.
(Kleber) - E sai alguma base, riff ou musica inteira mesmo.
(André) - A gente dá uma tocada até não esquecer mais, só nos 2, e leva pro ensaio mesmo.
(Kleber) - O Arroz já fica mais em casa trabalhando em riff.
(André) - Ae o Cabral tem livre arbítrio pra fazer o que quiser.
(Kleber) - E ele também leva muitas idéias pra gente.
(André) - O Arroz costuma pegar em casa as bases, e trabalhar em cima, mas ultimamente também, tem rolado de todo mundo da banda chegar com idéias pra banda trabalhar no ensaio.
(Kleber) - E o Cabral é o baixista "piru maluco", na verdade, eu sempre digo que ele é o baixista que pensa como guitarra, isso eu acho sensacional, não é a toa que ele tá com a gente desde o inicio.
Entendo... e as letras também funcionam assim ou ainda vem do Kleber?
(Kleber) - A maioria vem por mim, mas agora anda rolando de eu e o André dividir-mos idéias também.
(André) - Eu tenho costume de escrever baboseiras em forma de texto, e jogar pro Kleber o bullet de encaixar em melodia.
E nessas letras, geralmente tem alguma fonte de inspiração em especial?
(Kleber) - O modo de composição meu mudou também bastante, antigamente era mais fácil assimilar as frases com o foco mas hoje em dia não soam muito coesas a um assunto só.
Pra quem não sabe, o Kleber e o André são os patrões do estúdio Jukebox (links ali do lado), aproveitamos para perguntar um pouco sobre isso. Há quanto tempo vocês fazem gravações? E como costuma ser este processo?
(André) - Antes do Jukebox, a gente já mexia com gravação, mas separadamente. Creio que tanto eu quanto o Kleber começamos com intenção de gravar só nossas bandas. Eu comecei mais ou menos nessa época também, fazendo pré das minhas bandas, perdendo horas e horas do dia pra conseguir tirar boa sonoridade, principalmente de bateria com o mínimo de microfones possíveis ,dei uma parada por um tempo, por causa de faculdade, e alguns anos atrás eu e Kleber começamos a conversar a respeito de gravação, e tudo mais e acabou no que deu hoje em dia.
(Kleber) - Pois é, comecei com essa palhaçada de gravar em 2005. Em casa, fazendo prés das minhas bandas, gravando idéias, 2006 eu já comecei a me interessar mais serio no assunto, comecei a investir em alguns equipamentos a nível de homestudio, pouca coisa mesmo só pra ter uma qualidade aceitável e vim sempre estudando, pesquisando, chupinhando informação
Faculdade? De que? Os outros membros da banda também fazem/fizeram?
(Kleber) - Eu não fiz nenhuma ainda não, sou roqueiro!
(André) - Eu fiz faculdade de publicidade, o Arroz faz engenharia de alguma coisa.
Na verdade, a faculdade de publicidade me serviu mesmo pra mostrar que tenho talento na direção de vídeos (risos) Tenho um portfolio invejável!(e mais risos)
(André) - O Cabral simplesmente não precisa de faculdade.
(Kleber) - O Cabral é ator pornô.
(Folx (sou eu :D)) - Então, recapitulando... O Arroz é o ..., o André é o piadista das 20.000 bandas, o Kleber é o roqueiro gravador e o Cabral é um lendário ator pornô, certo?
(André) - Coloca simplesmente que o Arroz dá uma ligeira podada na nossa insaciável vontade de mandar um "move the pelvis".
Deixem um recado pro pessoal que quer ver a cena?
(Kleber) - Queridos garotos e garotas, para ver a cena, tem que viver a cena, saiam de casa, vão em shows (por mais não curtem tanto as bandas que vão tocar), não subdividem o roque, não se limitem a bonde, crew, coletivo ou o que for (não vivemos em metropoles para nos dar esse luxo), façam amizades, não fiquem em comunidades arrumando picuinhas com os outros, e por ultimo e o mais importante, valorizem as bandas da nossa cidade, ao menos respeitem!
(André) - Por mim só falava: ae molecadinha, não ajam como juvenis!
Haha, e esse foi o fim de mais uma entrevista. E só pra concluir, o link para o EP da banda: http://tramavirtual.uol.com.br/deloreanroque
Valew ae galerê :*

Delorean só tem brother!!
ResponderExcluirbanda muito boa
Hicaro
Valeu pela moral brothers.
ResponderExcluirE o Kleber e o Andre são dois fanfarrões. haha
Sou suspeitos por que são minhas meninas né, mas a banda é bom, e tem coisas importantes nessa banda: humor, profissionalismo musical, originalidade libertativa criativa, feeling e um guitarrista gordo como eu.
ResponderExcluirsom mais que aprovado!
away
o//
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