Eae rapazeada, tudo certo? Nossos posts nesse blog estão meio raros, mas não achem que nós desanimamos não... e só aquela correria de todo dia mesmo. E agora que meu notebook resolveu se aposentar, tá ficando ainda mais difícil parar na frente de computador pra postar (: Mas enfim, ao post de hoje.
"Saimos" um pouco de Volta Redonda e fizemos algumas perguntas para uma banda de fora da cidade. A Zé Oito, de Barra do Piraí, já tem algum tempo de estrada (a banda foi formada em 2000) e tem mostrado um som muito interessante pra galera. Eu (Folx) não assisti muitos shows deles, mas eles representaram muito bem nos shows que eu pude assistir. Segue ae o myspace da banda, para quem não conhecer: www.myspace.com/zeoito.
Surgiu da formação de uma banda que tínhamos anteriormente, chamada Pussy Doll. Essa banda misturava hardcore e rap, basicamente. Quando o Xan, que era um dos vocalistas, saiu, a gente já estava começando a incluir algumas coisas de ska no som. Era um estilo que a gente estava começando a descobrir, lá pelo fim do século 20, e que achamos divertido fazer.A saída do Xan foi o estopim para a gente assumir essa mudança de som. Chamamos o Dudu e o Nani que tinham banda punk quando eram moleques e tinham aprendido recentemente a tocar sax e trompete, respectivamente.Mudamos o arranjo de algumas músicas que já tínhamos e compusemos novas já explorando os metais. Fomos aprendendo na marra como fazer, já que ninguém na banda tinha formação musical.
Qual a origem do nome Zé Oito?
Acho que no primeiro ensaio sem o Xan, quando resolvemos que iríamos incluir cada vez mais ska no nosso som, resolvemos também que o nome tinha que mudar. O Renato (baixista à época) sugeriu, rindo pra caralho, o nome Zé Oito, que era o apelido de um vizinho dele, cachaceiro e jogador de sinuca. Todos acharam o nome ridículo e toparam na hora.
Quais as principais influencias da banda? Alguma influencia nacional?
Cara, a banda que me fez conhecer ska, saber que isso era um estilo e entender o barato que era, foi o Kamundjangos (hoje, Djangos, que está lançando seu segundo CD). A primeira coisa que a gente inseriu de ska nas nossas músicas, ainda no tempo da Pussy Doll, foi uma incidental dos Djangos. Mas a gente não é uma banda de ska. A gente faz hardcore com ska, com reggae, com surf music. Ou, pelo menos, tenta. Nessa mistureba, acho que as maiores influências são Voodoo Glow Skulls, Mad Caddies, Dead Kennedys, Manu Chao, Liberator e Chickenpox.
De onde veio a idéia de criar músicas em espanhol e francês?
10 anos de banda, oque mudou na Zé oito nesse tempo?
Um dia eu estava folheando no trabalho uma revista espanhola. Nas últimas páginas, havia anúncios de ciganas e afins, tipo esses anúncios de pai de santo que saem nos classificados do Jornal Meia Hora. Tinha umas frases foda ali. Tinha " si has dejado de vivir la vida y has dejado de creer en el amor...". Peguei a caneta e, a partir disso, fiz a letra de Latin Lover. Essa frase, inclusive, entrou inteira na letra. Os amigos acharam que ficou bacana, divertida e, a partir daí, fui escrevendo mais algumas coisas em espanhol.Quando fomos gravar no EME Estúdio com uma qualidade mais bacana, resolvi, com ajuda de um primo, fazer uma versão de Latin Lover em francês, para testar se ficava um pouco mais canalha e canastrão. Hoje, prefiro a versão em francês.Acho que hoje tem umas 4 em espanhol, ou com trechos em espanhol, algo de inglês e a versão em francês de Latin Lover.Quase todas as letras foram feitas por mim, com a diversão como único objetivo. Não fazemos música cabeça pra mudar o mundo. Fazemos para nos divertir.

Vocês ja tiveram a oportunidade de tocar em outros estados? O que diferença a cena de lá da local?
A gente já tocou em Juiz de Fora e em Ipatinga, duas vezes numa mesma noite. Foi divertido nos 3 lugares.
Em JF, foi numa festa do diretório de alguma faculdade da UFJF. Espaço reduzido, som acanhado, mas público bacana, dançando, bebendo e se divertindo.
Em Ipatinga foi engraçadíssimo. Chegamos lá depois de 10h de estrada, tocamos numa garagem enorme, empoeirada, com o Miami Bros. e o Mukeka di Rato, uns moleques se matando no HC, os caras do Mukeka subiram e cantaram Too Drunk To fuck do Dead Kennedys com a gente, zoamos uns metaleiros lá e tals.
Acabou o show, saímos correndo pra tocar numa outra casa ali perto.
Chegamos lá, era uma parada tipo Cana Café. Casa lotada, cheio de moleque arrumadinho, tchutchucas cremosas, ambiente crocante... bizarro.
Uns 30% devem ter gostado, o resto não entendeu porra nenhuma. O melhor é que ainda recebemos pra tocar lá.
E em Sampa nunca tocamos ao vivo, mas já rolou nosso som na rádio lá 3 vezes. A galera do programa Skataplá curtiu nosso som e deu uma força bacana por lá.
Como foram poucas situações, não deu pra avaliar cena local.
Muitas mudanças de integrantes. Não é fácil juntar uma galera com tempo e disposição pra fazer o som que a gente faz sem levar grana alguma. O som também muda um pouco. Com a entrada do Garcez no baixo, as músicas novas estão cada vez mais ska, explorando mais os metais também. O que não mudou é que continuamos sendo uma banda que curte fazer som juntos, que se diverte nos ensaios, nos shows e nos bate-papos.
E no cenário musical da região, o que mudou?
Acho que tem muito mais moleque fazendo som bacana na região. Muita banda mesmo, fazendo som legal. Falta espaço e falta, principalmente, divulgação, mas acho bacana saber que tem uma galera grande criando seu próprio som, que é bem mais divertido do que ficar só tocando música alheia.
Na opinião da banda, oque a cena precisa para crescer?
Espaço. Mas é complicado. Porque, se sou comerciante, quero ganhar dinheiro. Se tenho uma casa de show, quero a casa cheia pra eu ganhar. E muita gente que vai nos shows de rock e afins, fica na porta dos eventos tomando cerveja e não entra. Se entra, não consome. Então os espaços para o chamado "alternativo" sempre será escasso. Lei da oferta e da procura. Aí, ficamos com espaço restrito, com som de qualidade duvidosa e lambemos os beiços.Salvo algumas raras exceções, claro. A Prefeitura de Volta Redonda investe algum dinheiro no Freakshow, no Volta Redonda do Rock. Coisa rara de se ver no Brasil. Se eles honrassem os pagamentos das bandas, seria lindo. Mas aí, já estamos pedindo demais, né?Acho, também, aquele espaço da pista de skate do Jd Tiradentes, subaproveitado. Dá pra fazer nos finais de semana som ao vivo ali pra galera se divertir e andar de skate. Divulga as bandas, bota pilha nos moleques pra andarem, a prefeitura bota uma faixa dizendo como eles são bonzinhos e simpáticos e, no fim, todo mundo se diverte.
Um recado para os leitores que querem ver a cena.
Pode ter uma banda muito boa no seu bairro e você não sabe porque estava buscando banda croata no google. Procure saber, ouça os sons, vá aos shows, divirta-se, monte uma banda e, pelamordedeus, corte a franja.

Ummm legal legal, e o som do Zé Oito é manero também. Ainda sobre a cena na região, umas das coisas que me deixa triste, é o lance da "Banda Amiga" rsrs - a Banda do amigo toca e todo mundo vai embora, "ninguém" fica pra curtir o som das outras bandas, em São Paulo e no Rio, onde já toquei, isso é bem diferente.
ResponderExcluirabraços a todos
Tá coberto de razão, Marcus!
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